CAPÍTULO 003

O VALOR DE SABER ESCOLHER

Subtítulo

Discernimento é aprender a observar caráter, atitudes e valores antes de entregar o coração.

Os textos originais destacam a importância da sabedoria, prudência, respeito, fidelidade, diálogo e caráter na construção de uma relação. Eles também enfatizam que o amor precisa caminhar junto com sabedoria e cuidado. Neste capítulo, esses princípios são aplicados à realidade do namoro: aprender a escolher antes de entregar completamente o coração.

1. Escolher também é uma forma de amar

Muitas pessoas pensam que o amor começa quando o coração se apaixona. Mas existe uma etapa anterior que não pode ser ignorada: a escolha.

Gostar de alguém é uma experiência emocional. Escolher caminhar com alguém é uma decisão que envolve consciência, observação e responsabilidade.

Isso não significa transformar o namoro em uma investigação fria. Significa compreender que sentimentos fortes podem aparecer rapidamente, enquanto o caráter é conhecido com o tempo.

Quem entrega o coração sem observar pode descobrir tarde demais aquilo que deveria ter percebido no começo.

Por isso, escolher alguém não é apenas escolher uma companhia. É também escolher uma pessoa que poderá exercer influência sobre seus pensamentos, decisões, hábitos e futuro.

2. Não escolha apenas pelo que seus olhos conseguem ver

A aparência tem seu lugar na atração. É natural sentir admiração física por alguém. Entretanto, aparência não revela sozinha como uma pessoa trata os outros, como reage diante de problemas ou como lida com seus próprios erros.

É possível sentir muita atração por alguém e descobrir, depois, que os valores não combinam.

Também é possível conhecer alguém que não produziu uma grande impressão no primeiro momento e, com o tempo, descobrir um caráter precioso.

Provérbios 12:26 chama atenção para a importância da orientação e da prudência na escolha das companhias.

No namoro, isso significa prestar atenção não apenas ao encanto inicial, mas também às influências que acompanham a pessoa.

Quem são os amigos?

Que tipo de conversa essa pessoa considera normal?

Como trata pessoas mais frágeis?

Como fala daqueles que não estão presentes?

Como age quando ninguém está tentando impressioná-la?

O caráter aparece com maior clareza quando não existe plateia para agradar.

3. As companhias influenciam nossas escolhas

Provérbios 13:20 ensina que quem anda com sábios cresce em sabedoria, enquanto a convivência com pessoas insensatas traz prejuízo.

Essa passagem fala sobre influência. No namoro, ela nos ajuda a perceber que não estamos conhecendo somente uma pessoa isolada, mas também parte do ambiente no qual ela escolhe viver.

Isso não significa julgar alguém simplesmente pelos amigos. Pessoas podem possuir amizades diferentes e ainda assim manter seus próprios princípios.

O importante é observar se o ambiente ao redor está fortalecendo ou enfraquecendo o caráter.

Também precisamos olhar para nós mesmos.

Uma pergunta importante não é apenas “com quem vou namorar?”, mas “que tipo de pessoa estou permitindo que influencie minhas decisões?”

Um relacionamento pode aproximar duas pessoas de bons hábitos ou pode normalizar comportamentos que antes pareciam inaceitáveis.

Por isso, discernimento também significa prestar atenção às influências.

4. O perigo de ignorar sinais claros

Provérbios 22:3 apresenta a figura da pessoa prudente que percebe o perigo e se protege, enquanto quem não tem prudência segue adiante e sofre as consequências.

No namoro, essa passagem nos ajuda a entender o valor de perceber sinais antes de assumir compromissos maiores.

Não estamos falando de exigir perfeição. Todos possuem defeitos.

O ponto é diferenciar uma fraqueza reconhecida e trabalhada de um padrão de comportamento que a própria pessoa não aceita mudar.

Mentiras repetidas, desrespeito constante, manipulação, irresponsabilidade, agressividade, quebra frequente de limites ou desprezo pela verdade não devem ser tratados como detalhes sem importância apenas porque existe paixão.

Amor não exige que você feche os olhos para aquilo que precisa ser enxergado.

A prudência não é falta de fé.

Prudência é reconhecer a realidade e agir com responsabilidade.

5. Não entregue sua decisão para a paixão

A paixão pode fazer tudo parecer maior.

Uma mensagem vira uma promessa.

Um encontro vira uma certeza.

Uma semelhança vira “destino”.

Uma frase bonita vira prova de caráter.

Mas decisões importantes precisam de mais do que emoção.

1 Coríntios 15:33 alerta que más companhias podem corromper bons costumes.

Esse princípio também nos faz pensar sobre o poder de influência que um relacionamento exerce. Quando começamos a conviver profundamente com alguém, nossas práticas, pensamentos e hábitos podem sofrer influência.

Por isso, não basta perguntar se a pessoa me faz sentir bem.

É necessário perguntar:

Ela me aproxima ou me afasta dos meus valores?

Ela incentiva responsabilidade ou irresponsabilidade?

Ela respeita meus limites?

Ela consegue reconhecer quando erra?

Ela aceita diálogo?

Uma boa escolha não é apenas aquela que desperta emoção; é aquela que continua fazendo sentido quando a emoção encontra a realidade.

6. Conheça antes de idealizar

Idealizar é construir dentro da mente uma versão da pessoa que talvez não exista.

Quando idealizamos alguém, passamos a interpretar quase tudo de maneira favorável.

O defeito vira charme.

A irresponsabilidade vira espontaneidade.

O controle vira cuidado.

O ciúme vira prova de amor.

A falta de compromisso vira “medo de se machucar”.

A realidade deixa de ser observada porque temos medo de destruir a imagem que criamos.

Você não consegue escolher bem uma pessoa que não está disposto a enxergar de verdade.

Por isso, o namoro precisa de tempo para conhecimento.

Converse.

Observe.

Veja como a pessoa lida com frustrações.

Veja como trata a própria família.

Veja como reage quando seus interesses são contrariados.

Veja se suas palavras combinam com suas atitudes.

O objetivo não é procurar defeitos.

É conhecer a realidade.

7. Observe como a pessoa trata quem não pode lhe dar nada

Uma das maneiras mais reveladoras de conhecer alguém é observar como essa pessoa trata quem não tem poder para beneficiá-la.

Como trata um atendente?

Como fala com alguém que errou?

Como reage diante de uma pessoa mais simples?

Como trata crianças e idosos?

Como fala com alguém de quem discorda?

Como fala de alguém que terminou um relacionamento com ela?

Essas situações podem revelar muito.

Os textos originais associam uma boa caminhada a valores como respeito, fidelidade, amor, sabedoria e cuidado. No namoro, esses valores precisam ser vistos em atitudes concretas.

O verdadeiro caráter não aparece apenas na maneira como alguém trata quem ama, mas também na maneira como trata quem aparentemente não precisa impressionar.

Por isso, observe comportamentos cotidianos.

O caráter não precisa de um palco para existir.

8. Procure coerência entre fé e comportamento

Uma pessoa pode falar muito sobre Deus e ainda assim demonstrar pouca honestidade, respeito ou domínio próprio.

Por isso, é necessário observar a coerência.

Os textos originais destacam que a vida a dois deve buscar a direção de Deus, a sabedoria e a atuação do Espírito Santo.

Para o namoro, esse princípio precisa aparecer em frutos concretos.

Gálatas 5:22-23 apresenta amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio como fruto do Espírito.

Assim, uma pessoa pode dizer que tem fé, mas o relacionamento permite observar:

Existe domínio próprio?

Existe fidelidade?

Existe bondade?

Existe capacidade de reconhecer erros?

Existe respeito?

Fé verdadeira não precisa ser apenas falada; ela também pode ser percebida nas atitudes.

9. Saber escolher inclui ouvir conselhos

Quando estamos apaixonados, nossa percepção pode ficar limitada.

É por isso que conselhos responsáveis podem ser uma proteção.

Provérbios 12:26 e Provérbios 13:20 apontam para a importância das influências e da sabedoria na caminhada.

Isso não significa permitir que qualquer pessoa escolha seu namorado ou sua namorada por você.

A decisão continua sendo pessoal.

Mas significa reconhecer que pessoas maduras podem perceber coisas que não estamos conseguindo ver.

Um conselho saudável não tenta controlar sua vida.

Ele apresenta fatos.

Faz perguntas.

Aponta incoerências.

Ajuda você a pensar.

Ouvir conselho não significa entregar sua decisão; significa ampliar sua capacidade de discernir.

Se pessoas maduras e que amam você apontam repetidamente o mesmo problema, vale a pena não responder apenas com “vocês não entendem nosso amor”.

Talvez seja exatamente nesse momento que você precise observar com mais cuidado.

10. Escolher bem não significa procurar uma pessoa perfeita

Nenhum ser humano é perfeito.

Portanto, discernimento não significa criar uma lista impossível de exigências.

A pessoa que você escolher também terá limitações.

Ela poderá esquecer coisas.

Poderá cometer erros.

Poderá ter dias ruins.

Poderá precisar crescer em algumas áreas.

O ponto é saber distinguir defeitos humanos de problemas que comprometem a segurança, a confiança e os valores fundamentais do relacionamento.

Uma escolha madura não procura alguém sem defeitos.

Procura alguém que tenha caráter suficiente para reconhecer seus defeitos, assumir responsabilidade e desejar crescer.

Isso também deve ser verdade para nós.

Não podemos exigir do outro uma maturidade que não estamos dispostos a desenvolver.

O namoro é uma oportunidade de conhecer alguém, mas também é um espelho que revela muito sobre o tipo de pessoa que estamos nos tornando.

11. Escolha valores antes de escolher promessas

Promessas emocionam.

Valores orientam.

Uma pessoa pode dizer:

“Vou cuidar de você.”

A pergunta é: ela demonstra responsabilidade no cotidiano?

Pode dizer:

“Eu jamais vou mentir.”

A pergunta é: existe verdade nas pequenas coisas?

Pode dizer:

“Deus é importante para mim.”

A pergunta é: essa fé aparece na forma como trata as pessoas?

Não escolha apenas pelas promessas que você ouve; observe os valores que a pessoa pratica.

É claro que uma pessoa pode estar em processo de crescimento.

O objetivo não é encontrar alguém que já tenha chegado ao ponto máximo de maturidade.

O objetivo é perceber se existe sinceridade, humildade e disposição para aprender.

Uma relação saudável pode suportar duas pessoas imperfeitas.

O que ela não suporta facilmente é uma relação em que a verdade é constantemente sacrificada para preservar uma aparência.

12. Seu coração merece tempo para decidir

A Bíblia não apresenta a pressa como sinônimo de sabedoria.

Provérbios 22:3 nos ensina a reconhecer o perigo e agir com prudência.

Isso nos lembra que não precisamos avançar apenas porque já começamos.

Durante o namoro, você pode continuar conhecendo.

Pode continuar fazendo perguntas.

Pode observar novas situações.

Pode conversar com pessoas maduras.

Pode perceber se aquilo que parecia promissor realmente permanece saudável com o passar do tempo.

Tempo não garante que uma escolha será perfeita, mas permite que a realidade seja conhecida.

Não tenha medo de ir devagar.

Não tenha medo de admitir que ainda está conhecendo.

Não tenha medo de fazer perguntas difíceis.

E não tenha medo de reconhecer que uma escolha precisa ser revista quando surgirem fatos novos.

PERGUNTA PARA REFLEXÃO

Estou escolhendo essa pessoa com base apenas no que sinto por ela, ou estou observando com honestidade seu caráter, suas atitudes, suas influências e seus valores?

CONCLUSÃO

Saber escolher é uma das grandes responsabilidades de quem deseja viver um namoro saudável.

Não se trata de procurar uma pessoa perfeita, porque pessoas perfeitas não existem.

Trata-se de aprender a enxergar além da aparência, além da atração e além das promessas.

Discernimento é dar ao tempo, à verdade, aos frutos do caráter e à sabedoria o espaço que a emoção muitas vezes deseja ocupar sozinha.

Provérbios 12:26 nos lembra da importância de caminhar com prudência. Provérbios 13:20 mostra que nossas companhias influenciam nossa caminhada. Provérbios 22:3 apresenta a prudência daquele que percebe o perigo. E 1 Coríntios 15:33 alerta para o poder das influências sobre nossos costumes.

Os textos originais também apontam para a importância da sabedoria, fidelidade, respeito e caráter na construção de uma relação.

Por isso, não escolha apenas com o coração acelerado.

Conheça.

Observe.

Converse.

Ore.

Escute conselhos.

Examine os frutos.

E permita que a realidade confirme ou corrija a primeira impressão.

Entregar o coração é algo precioso demais para ser feito sem discernimento.

Um namoro bem-sucedido não começa quando encontramos alguém que desperta nossos sentimentos mais fortes.

Ele começa quando aprendemos a escolher com sabedoria alguém cujo caráter, valores e atitudes podem ser conhecidos com verdade ao longo do caminho.